4 meses, 3 semanas e 2 diasNa Romênia de 1987, o regime comunista não permite que o povo desfrute de uma vida tranqüila e grande parte da população busca sustento no mercado negro, vendendo objetos como cigarros, sabonetes e giletes. Neste ambiente, em uma pequena cidade universitéria, duas jovens se preparam para uma grande missão: uma delas vai se submeter a um aborto.
Por falta de coragem, a gestante pede à amiga Odília, que tome todas as medidas para realizar o procedimento. Elas se refugiam em um quarto de hotel e buscam a ajuda de um especialista, que as alerta sobre o grande risco de serem presas.
Mesmo sendo o dia do aniversário da mãe de seu namorado, Odília vai ajudar a amiga no que ela precisar. Quando tudo está pronto, elas percebem que o preço a pagar pelo serviço pode ser alto demais.
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias pertence a um grande projeto chamado "Histórias da Era de Ouro - uma história subjetiva do comunismo na Romênia". O objetivo principal do projeto é falar sobre esse período sem referência direta ao comunismo, mas contando por meio de suas lendas urbanas. São diferentes histórias, focadas em opções pessoais feitas em tempos de infortúnios.
Assistir a este filme não é fácil. Primeiro porque carece de uma bagagem cultural para que possa ser desfrutado. Segundo que, para desfrutá-lo, é necessário gostar de cinema, daqueles que perturba. Os cortes são secos, longos e por vezes aflitivos. Não é fácil agüentar até o final, mas merece o esforço.
A relação escrota e machista estabelecida entre Mr.Bebe – o responsável por facilitar o aborto – e as amigas é a metáfora que evidencia a agressividade embutida nos seres humanos num país sem opções. Otília é testada, questionada e provocada a agir constantemente, o que nos leva a perguntar se faríamos o mesmo por outra pessoa.
Não há como passar ileso por um filme como este, porque ele vai no mínimo te incomodar e isto é proposital. O diretor transfere para a tela a fragmentação de seres de um local devastado e sem a menor utopia ou cor que o qualifique com um lugar habitável. Em dado momento me lembrei de
“Para sempre Lyla” de Lukas Modysson. Não há sentimentalismo e/ou maniqueísmos, apenas a realidade crua e seca, escorrendo pela goela abaixo. 4 meses, 3 semanas e 2 dias, te coloca em confronto com uma realidade que ainda transforma a vida de muitas mulheres e divide opiniões. Vale pela estética, pelo tema e pelo soco no estômago.